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Entrevista: Gestão da Mudança PDF Imprimir E-mail

Liz Bittar falou à Revista Nossa Raia, uma publicação da rede Droga Raia, sobre GESTÃO DA MUDANÇA. Eis a íntegra da entrevista:

Descrição da Pauta:
A ideia do texto é instruir o funcionário da Droga Raia a se preparar para mudanças voluntárias e involuntárias. Não sei se essas classificações existem de fato no mundo corporativo, mas o que eu quero dizer com elas é: Mudança voluntária é aquela em que há a possibilidade de se programar. Então, por exemplo, eu quero mudar de cidade pra ter uma qualidade melhor de vida. Pesquiso se nessa nova cidade há uma boa escola para o meu filho, se o clima é agradável, se há possibilidade de empregos etc. A mudança involuntária é aquela que acontece sem muito planejamento, é imposta pela vida. Um funcionário é promovido e precisa urgentemente mudar de cidade. Só que ele acaba caindo num lugar totalmente fora do seu padrão. A ideia é dar dicas de como se preparar e se adaptar nesses dois casos, sempre adotando uma postura positiva e aprendendo a lidar com imprevistos.

Liz Bittar: Eu não chamaria de mudança voluntária ou involuntária, mas sim de mudança planejada ou não planejada. Na verdade, o funcionário não é obrigado a submeter-se à mudança se não concordar com ela; pode optar pelo desligamento.
Para as empresas, o desafio é manter os funcionários motivados e desempenhando o seu melhor. Neste momento, a comunicação é vital. Uma comunicação clara, objetiva, aberta, que dê uma diretriz segura para que os funcionários não se sintam desamparados em face às incertezas que todo processo de mudança gera.
 
1) Quais são as principais dificuldades numa mudança de âmbito profissional? Como encará-las sem deixar de lado a qualidade de vida no trabalho?
Liz Bittar: Toda mudança implica em assumir riscos. O desafio é sair de nossa zona de conforto, em direção ao novo. O medo é comum nessas horas: medo de falhar, medo de não se adaptar, medo de se sobrecarregar, medo do desafio.
Se encaramos a mudança como algo positivo, então o processo é mais fácil, ainda que gere expectativa e ansiedade. Quando há um sentimento positivo, de que pode dar certo, de que a mudança será para melhor, então o processo não é doloroso.
Quando, por outro lado, as pessoas não acreditam que a mudança será para melhor, todo o processo pode causar desmotivação, desinteresse e perda de produtividade.
Quando mudanças ocorrem em uma organização, a comunicação é vital. É compreensível que a dúvida resulte em insegurança. Por isso, a empresa deve comunicar a mudança de maneira clara, de forma que os funcionários saibam o que esperar, e especialmente quanto a contribuição de cada um deles irá impactar para o resultado positivo da mudança.
Quando o processo de comunicação não é aberto e claro, o funcionário sente-se desamparado, fica inseguro e é claro, perde interesse pelo trabalho, pois tem dúvidas quanto ao seu futuro na empresa.
 
2) Quais as melhores maneiras pra se adaptar a um novo ambiente? No caso da mudança involuntária, como se preparar de última hora?
Liz Bittar: Flexibilidade e habilidade para lidar com a diversidade são duas competências importantes, que podem ser desenvolvidas. O funcionário que tem habilidade para lidar com a diversidade procura conhecer novas culturas, demonstra respeito e tolerância por culturas diferentes da sua, entende, respeita e valoriza as diferenças.
O funcionário flexível é receptivo a idéias e sugestões que visem a melhoria de processos, excelência no atendimento e satisfação dos clientes internos e externo; dedica-se a explorar novas formas de atuação e tem disposição para explorar novas alternativas, que beneficiem o conjunto.
O funcionário inflexível é aquele que não quer ir além do que faz, e preocupa-se mais com o que é melhor e mais cômodo para si próprio. Demonstra resistência a novos procedimentos, acha tudo "complicado", recusa-se a ver o lado positivo da mudança. Essas pessoas têm muita dificuldade para sobreviver a processos de mudança, e não têm bom desempenho em ambientes de constantes mudanças.
Como eu disse anteriormente, competências podem ser desenvolvidas. Cabe a cada um analisar seus comportamentos, e fazer um exercício constante de superação, buscando adotar novos comportamentos que o tornarão mais flexível, mais tolerante com as diferenças ou mais sensível aos interesses do grupo, por exemplo.
 
 
3) O que é importante levar em consideração numa mudança?
Liz Bittar: Cada um deve fazer uma autoanálise e decidir até que ponto está disposto a investir na mudança, e trabalhar por ela, empenhando-se genuinamente pela obtenção de resultados positivos para si e para a organização.
É preciso ponderar todos os aspectos envolvidos em uma mudança: carreira, vida pessoal, seu futuro naquele ambiente de trabalho, prós e contras. Procure o aconselhamento de um superior, na empresa, que possa esclarecer suas dúvidas e expectativas com relação ao trabalho e ao seu futuro na empresa. Procure saber o que se espera de você, como a sua contribuição e seu envolvimento pode beneficiar o departamento e a empresa como um todo.
Quando temos uma meta clara, e podemos vislumbrar o horizonte lá na frente, fica mais fácil definir ações para atingir esta meta. O mais difícil, creio eu, é não ter uma visão clara do que nos espera no futuro. Por isso, aconselho sempre que se busque o diálogo.

 

 
© 2007 Liz Bittar Associados

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